quarta-feira, 13 de maio de 2009

Nem Tão Simples Assim



Uns sonham riqueza

Banquetes sobre a mesa

Doce pranto de soberba

Átrio alvo e confuso


Eu, tímido, perplexo

Sonho campos e sendas

Riachos e florestas

A alegria esvoaçante dos pássaros


Muitos sonham sorte

Amarga ironia:

Vida ou Morte?

- enigma universal, etéreo


Eu, carne, fome,

Quero gosto, vento,

Gozo, tato,

Movimento


Outros, sonham enredos antropomórficos

Epopéias ditas em clarins

Fino trato de Camélias

Grandes obras em nanquim


Eu, alma, essência por fim

Hipótese, espectro

Utópico, anárquico

Sonho descobrir a mim


Eduardo C. Mendonça

terça-feira, 7 de abril de 2009

Caneta



A caneta desliza ao léu

Descrevendo a simbiose eterna

Da terra com o céu


A caneta descobre o véu

Na expressão estética

Do poeta com o papel


Na caneta, o vínculo contínuo

Que das mãos do escritor

Não separa a caneta do papel
Nem o papel do leitor


Na caneta, a ponte infinita

De infinitas idéias e crenças

Que ousam definir sentenças

Jamais definidas antes


A caneta, metamorfose abstrata

De desejos expressos em tinta
Tinta que é marca, que pinta

Que traça caminhos e deixa marcas


A caneta, mutação artística

Do desenho e da escrita,
No pulso, o impulso

Das idéias, das letras


Caneta, combinação de fatos

Registro de pensamentos

Em forma de relatos


Caneta, objeto que sela laços

E perpetua emoções e sentimentos

Expressos em seus traços


Eduardo Campos Mendonça

segunda-feira, 2 de março de 2009

Amor-Perfeito



Um amor não revelado


Mas bem amado

Na forma de amar

Mal-amada

Descontrolada

No jeito errado

De amar direito

Amor dissabor

É desamor

Amor perfeito

Só o que a gente

Carrega no peito

Eduardo C. Mendonça

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Os Olhos de Lays


.
O que eu sempre quis
Era continuar assim
Sem leme, sem rumo,
Olhando só pra mim

Mas a vida, enigmática,
Assim não quis
E fez meus olhos
Encontrarem os de Lays

Com seu sorriso de menina
E alma de grande mulher
Mais doce que algodão doce
E mais bela que a flor-de-lis

Espontânea e afável donzela
A deslizar sutil e altiva
Entre humildes e soberbas
E almas que nunca serão como ela

Sim, foi como o destino quis
Enfim
Mas como pode tão negros olhos
Fitar-me com tanta luz assim?

Surpreendente tal como chuva
Inatingível como o vento
Fêmea das mais sublimes
Destes efêmeros e tortos tempos

Não quero o luxo, nem o esdrúxulo
Muito menos chão de giz
Só peço que me tragas
A luz dos olhos de Lays

Nada de diamantes,
Safiras ou rubis
Basta-me o brilho
Dos olhos de Lays



Eduardo C. Mendonça

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Suave Brisa



Como uma brisa etérea,

Aparecestes assim,

De repente, aos meus olhos

Agitando todo o meu ser,

Desmoronando minhas barreiras e muros

Menina ou mulher?

Talvez as duas...

Permanece o mistério...

Inexplicavelmente,

Despertastes minha efusão lírica...

Labirinto de desejos

Em minhas lembranças,

Ainda hei de te encontrar novamente!

Eduardo C. Mendonça