segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

SerTão Gerais








Que saudade do mato

Da velha porteira

Do meu manso regato

E daquela laranjeira



Que saudade matreira

Da galinha e do pato

Daquele povo pacato

Da moça toda faceira



Não é saudade pequena

De querer buscar rapadura

Encontrar saracura

E ouvir a seriema



É saudade ingrata

De ver chuva na terra

De subir colina e serra

E beber garapa



É saudade do jipe

Dos brinquedos de lata

De fazer piquenique

E amolar a faca



Não é saudade da escola

Ou dos tempos de bola

É de tomar pinga

E água na moringa



Nem saudade vazia

É de “querê arriá o tordio”

Passar manteiga no “mio”

E da passarinhada que pia



É saudade de preparar o arado

De história de assombração

Vontade tocar o gado

E de ver procissão



É saudade daquele simples café

Do “paieiro” na varanda

Do fogão de lenha com chaminé

E das meninas em ciranda



É saudade do carro de boi

Que roda como o tempo

Saudade do que já se foi

De luar, estrela e relento



É saudade dura

“Qui as veis endoidece, otras cura”

Mais é saudade “dimais”

Saudade de SerTão Gerais





Eduardo C. Mendonça


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Uma Mão Se Estende




No choro comprimido
Ou na derrota do dia
No prêmio merecido
E na dispensa vazia

Na saúde que cai
Ou num tombo no barro
No amor que se vai
E num acidente de carro

Na hora do aperto
E na saudação
Na hora do acerto
E na comunhão

Em porres nos bares
No rosto que lavo
No desabamento de lares
E nas batalhas que travo

No livro que leio
Ou na vida que termina
Em cada receio
E na voz que ensina

Na dor da enchente
Ou na filha perdida
No obstáculo à frente
E pra curar a ferida

No comércio, no morro,
E em forma de prece
Estendida a socorro
A mão se oferece

Te cobre, te despe,
Te liberta, te tolhe,
A mão que te acolhe
É a mesma que fere


Eduardo C. Mendonça





terça-feira, 17 de julho de 2012

TemperaMental



Nem o frio da capital
Nem a chama do velho fogão
Nada é tão temperamental
Como o interior deste coração

                                                                                   Eduardo C. Mendonça

segunda-feira, 25 de junho de 2012


 

Vestido para a morte

Procuro vestígios de mim

Não sei se é azar ou se é sorte

Só sei que tudo tem um fim

                                                                      

                                                                  Eduardo C. Mendonça