segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

SerTão Gerais








Que saudade do mato

Da velha porteira

Do meu manso regato

E daquela laranjeira



Que saudade matreira

Da galinha e do pato

Daquele povo pacato

Da moça toda faceira



Não é saudade pequena

De querer buscar rapadura

Encontrar saracura

E ouvir a seriema



É saudade ingrata

De ver chuva na terra

De subir colina e serra

E beber garapa



É saudade do jipe

Dos brinquedos de lata

De fazer piquenique

E amolar a faca



Não é saudade da escola

Ou dos tempos de bola

É de tomar pinga

E água na moringa



Nem saudade vazia

É de “querê arriá o tordio”

Passar manteiga no “mio”

E da passarinhada que pia



É saudade de preparar o arado

De história de assombração

Vontade tocar o gado

E de ver procissão



É saudade daquele simples café

Do “paieiro” na varanda

Do fogão de lenha com chaminé

E das meninas em ciranda



É saudade do carro de boi

Que roda como o tempo

Saudade do que já se foi

De luar, estrela e relento



É saudade dura

“Qui as veis endoidece, otras cura”

Mais é saudade “dimais”

Saudade de SerTão Gerais





Eduardo C. Mendonça


Um comentário:

Carla Oliveira disse...

Saudade dos versos e da prosa que faz tempo que não leio.
SerTão Ceará...
SerTão Gerais...
SerTão na visão de ROSA, das grandes veredas descritas por GUIMARÃES.
SERTÃO em qualquer lugar tem sua beleza e seus mistérios.