terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Homem de Pedra


Eu me tornei um homem de pedra

Silencioso,

Impenetrável,

Afeito cátedra


Preso neste bólido interior basáltico

Solidificado,

Eis-me fóssil,

Imperfeito e cético


Um homem de pedra incandescente

Gélido,

Indecifrável,

Rarefeito e descrente


Na quietude etérea

Primorosa

E instável

Da matéria


Afaste-se!

Não se aproxime tanto assim

Sou um homem de pedra

E o magma já não corre mais em mim


Um homem de pedra intrépido

Efusivo,

Eu volátil,

Desfeito e impávido


Imune ao estrume

Talhado de precipícios e cumes inabitáveis

Eu indelével,

Solitário e intransigente


Um homem de pedra altivo e ígneo

Contra os homens- feras

Eu imóvel,

A mirar o transcorrer das eras


Petrificado por Ilíadas desafortunadas

E areníticas batalhas

Sedimentadas em sangue

Sim! Eis aqui um homem de pedra, enfim



Eduardo C. Mendonça


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

VIVER DÓI - Paradoxo Drummoniano



Já não temo mais a dor

Estou inebriado...

Mas, acalme-se,

A indiferença não tomou conta de mim

Ainda sinto as marcas desse fardo

Só que agora me entrego à dor

Como uma mãe se entrega ao parto

Carrego o peso desses erros

Em estado semi-abstrato

Mas como isso dói

Pergunte às plantas, pergunte às pedras...

Eles te revelarão teus sentimentos

E, mesmo em partículas centesimais,

Verás o quanto isso dói

Então, sentirás a vida sangrar

Por tua pele, por tuas narinas e ouvidos

E sentirás tudo isso doer, sem se revelar

Verás que, mesmo escondida,

A vida dói chorosa, calada e espremida,

Quão inexplicável é

Sentirás no teu corpo, nas tuas entranhas

E nos teus pensamentos

Mas descobrirás que choras sozinho

E que não há bálsamo para te consolar

Mas se tiveres força para manter-te firme

E paciência para suportar tal tortura mental

Vais descobrir que essa miserável dor

Não é de hoje, nem do passado...

É a mesma dor de sempre

Que não é só minha,

Nem tua exclusivamente

É a dor do povo, da rua, da gente...

Não é uma dor como quem cai da bicicleta

Nem como quem martela o dedo, ou bate a testa

Não é dor de amor, de ódio, nem de poeta.

É a dor de um mundo egoísta que não presta


Eduardo C. Mendonça

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Jogo da Vida


Sendo ou não imposta

Seja qual for a proposta

Toda escolha é uma aposta

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Poema de Natacha Orestes especialmente para o EM DU VIDA

enquanto escrevia

tinha mania:

invocar a deus

mas agora estava

ela mesma invocada:

-deus é um equívoco?

violou a lei e duvidou

da dádiva

que sempre achava

que fosse a vida

desencontrando a deus

ela se encontrou


cheia de demônios

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Entre Aspas

.

O ponto de partida pouco importa

Importante é que você siga

Escrevendo tua história

Esse é o caminho, a porta



As interrogações são muitas,

Eis os fatos

Mas não desista, persiga

Concentre-se nos atos



Não se preocupe com o aonde chegar

Nem como tudo pode terminar

Ponto final nem sempre é morte

Recomeço, quase sempre, por sorte



Respire fundo, aspire

Inspire seus personagens

Em suas travessias, viagens

Sonhe, foque, mire



Respeite as pausas

Os diálogos, as causas

Pare, pense,

Pontue



Felicidade não é busca

É ser, existir

E não se assuste

Quando dois pontos tentam se unir



A existência é ambígua sim

É calma, prudente,

Movimento sem-fim

Oscilação intermitente



Não é apenas

Reticências...

É breve momento, aspas,

Entre infinitas existências


Eduardo C. Mendonça