quarta-feira, 21 de maio de 2008

Nuvens Negras


Tudo está cinza,
Nebuloso,
Tudo está denso,
Chuvoso

Tudo está negro
Escuro,
Tudo está preto,
Obscuro

E o vento sopra gelado
Sem vida,
Sem alma,
Castigando dedos e lábios

É, o tempo está feio
Pesado,
Plúmbeo,
Esquisito

Nem mesmo o vermelho
Do sangue,
Da guerra,
Surgiu no horizonte

A linda mulher,
Coitada,
Agora está sem dentes,
Sem seios

Do homem honesto
Não sobrou quase nada
Só os restos
Só ossos

A frágil criança inocente
Caiu no abismo
E nunca mais voltará
Ao colo quente

O jovem adolescente
Perdeu a namorada,
Os amigos,
E os parentes

Até o velho cego
Percebeu a escuridão
Chegar
Assim de repente

Seus olhos viram
E ficaram perdidos
Foi a primeira vez
Que ele sentiu medo...

E eu vejo tudo isso
Na palma de minhas mãos
Só não vejo
O chão...


Eduardo Campos Mendonça




Um comentário:

Heitor Branquinho disse...

Rolou um blues nervoso dessa hein.....
Tenho que te mostrar!
abs....