segunda-feira, 8 de março de 2010

Obrigado! De nada!



Nada vale tuas lágrimas

De nada vale o teu furor
Nada vale tuas lástimas
De nada vale o teu horror

Nada vale o teu sorriso
Nada vale teu desespero
De nada vale o teu siso
De nada vale teu esmero


Nada vale a castidade
Nada vale a solidão
Nada vale a promiscuidade
Nada vale a religião

De nada vale a loucura
De nada vale a sobriedade
Nada vale a ternura
Nada vale a piedade


Nada vale o teu ego
Nada vale um desejo
De nada vale um segredo
De nada vale ao que me apego

Nada vale o teu dinheiro
Nada vale o teu apreço
Nada vale o mundo inteiro
Só me vale o que mereço


De nada vale
O obrigado
De nada


Eduardo C. Mendonça

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Homem de Pedra


Eu me tornei um homem de pedra

Silencioso,

Impenetrável,

Afeito cátedra


Preso neste bólido interior basáltico

Solidificado,

Eis-me fóssil,

Imperfeito e cético


Um homem de pedra incandescente

Gélido,

Indecifrável,

Rarefeito e descrente


Na quietude etérea

Primorosa

E instável

Da matéria


Afaste-se!

Não se aproxime tanto assim

Sou um homem de pedra

E o magma já não corre mais em mim


Um homem de pedra intrépido

Efusivo,

Eu volátil,

Desfeito e impávido


Imune ao estrume

Talhado de precipícios e cumes inabitáveis

Eu indelével,

Solitário e intransigente


Um homem de pedra altivo e ígneo

Contra os homens- feras

Eu imóvel,

A mirar o transcorrer das eras


Petrificado por Ilíadas desafortunadas

E areníticas batalhas

Sedimentadas em sangue

Sim! Eis aqui um homem de pedra, enfim



Eduardo C. Mendonça


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

VIVER DÓI - Paradoxo Drummoniano



Já não temo mais a dor

Estou inebriado...

Mas, acalme-se,

A indiferença não tomou conta de mim

Ainda sinto as marcas desse fardo

Só que agora me entrego à dor

Como uma mãe se entrega ao parto

Carrego o peso desses erros

Em estado semi-abstrato

Mas como isso dói

Pergunte às plantas, pergunte às pedras...

Eles te revelarão teus sentimentos

E, mesmo em partículas centesimais,

Verás o quanto isso dói

Então, sentirás a vida sangrar

Por tua pele, por tuas narinas e ouvidos

E sentirás tudo isso doer, sem se revelar

Verás que, mesmo escondida,

A vida dói chorosa, calada e espremida,

Quão inexplicável é

Sentirás no teu corpo, nas tuas entranhas

E nos teus pensamentos

Mas descobrirás que choras sozinho

E que não há bálsamo para te consolar

Mas se tiveres força para manter-te firme

E paciência para suportar tal tortura mental

Vais descobrir que essa miserável dor

Não é de hoje, nem do passado...

É a mesma dor de sempre

Que não é só minha,

Nem tua exclusivamente

É a dor do povo, da rua, da gente...

Não é uma dor como quem cai da bicicleta

Nem como quem martela o dedo, ou bate a testa

Não é dor de amor, de ódio, nem de poeta.

É a dor de um mundo egoísta que não presta


Eduardo C. Mendonça

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Jogo da Vida


Sendo ou não imposta

Seja qual for a proposta

Toda escolha é uma aposta

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Poema de Natacha Orestes especialmente para o EM DU VIDA

enquanto escrevia

tinha mania:

invocar a deus

mas agora estava

ela mesma invocada:

-deus é um equívoco?

violou a lei e duvidou

da dádiva

que sempre achava

que fosse a vida

desencontrando a deus

ela se encontrou


cheia de demônios