Mais cedo ou mais tarde,
A verdade vem à tona
E, com ou sem alarde,
Te leva à lona
Eduardo C. Mendonça
A vida é uma eterna dúvida. Não acha? Se não acha, é bem provável que você tenha se perdido. Você tem certeza de algo? De qualquer coisa? Desse ou de outros mundos? Ou, de pelo menos de quem você é? Você vive questionando tudo e a todos? Então você vive duvidando. Afinal, a única certeza é a morte. Ou melhor, as várias mortes em nossas infindas vidas. Duvida?
Mais cedo ou mais tarde,
A verdade vem à tona
E, com ou sem alarde,
Te leva à lona
Eduardo C. Mendonça
Eu me tornei um homem de pedra
Silencioso,
Impenetrável,
Afeito cátedra
Preso neste bólido interior basáltico
Solidificado,
Eis-me fóssil,
Imperfeito e cético
Um homem de pedra incandescente
Gélido,
Indecifrável,
Rarefeito e descrente
Na quietude etérea
Primorosa
E instável
Da matéria
Afaste-se!
Não se aproxime tanto assim
Sou um homem de pedra
E o magma já não corre mais em mim
Um homem de pedra intrépido
Efusivo,
Eu volátil,
Desfeito e impávido
Imune ao estrume
Talhado de precipícios e cumes inabitáveis
Eu indelével,
Solitário e intransigente
Um homem de pedra altivo e ígneo
Contra os homens- feras
Eu imóvel,
A mirar o transcorrer das eras
Petrificado por Ilíadas desafortunadas
E areníticas batalhas
Sedimentadas em sangue
Sim! Eis aqui um homem de pedra, enfim
Eduardo C. Mendonça
Já não temo mais a dor
Estou inebriado...
Mas, acalme-se,
A indiferença não tomou conta de mim
Ainda sinto as marcas desse fardo
Só que agora me entrego à dor
Como uma mãe se entrega ao parto
Carrego o peso desses erros
Em estado semi-abstrato
Mas como isso dói
Pergunte às plantas, pergunte às pedras...
Eles te revelarão teus sentimentos
E, mesmo em partículas centesimais,
Verás o quanto isso dói
Então, sentirás a vida sangrar
Por tua pele, por tuas narinas e ouvidos
E sentirás tudo isso doer, sem se revelar
Verás que, mesmo escondida,
A vida dói chorosa, calada e espremida,
Quão inexplicável é
Sentirás no teu corpo, nas tuas entranhas
E nos teus pensamentos
Mas descobrirás que choras sozinho
E que não há bálsamo para te consolar
Mas se tiveres força para manter-te firme
E paciência para suportar tal tortura mental
Vais descobrir que essa miserável dor
Não é de hoje, nem do passado...
É a mesma dor de sempre
Que não é só minha,
Nem tua exclusivamente
É a dor do povo, da rua, da gente...
Não é uma dor como quem cai da bicicleta
Nem como quem martela o dedo, ou bate a testa
Não é dor de amor, de ódio, nem de poeta.
É a dor de um mundo egoísta que não presta