terça-feira, 17 de julho de 2012

TemperaMental



Nem o frio da capital
Nem a chama do velho fogão
Nada é tão temperamental
Como o interior deste coração

                                                                                   Eduardo C. Mendonça

segunda-feira, 25 de junho de 2012


 

Vestido para a morte

Procuro vestígios de mim

Não sei se é azar ou se é sorte

Só sei que tudo tem um fim

                                                                      

                                                                  Eduardo C. Mendonça

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Infinito Amor




Repentinamente, me deparo
Com teu enorme abismo à minha frente
De súbito, me desencanto e me declaro
Mas não há como prender-me eternamente


Inexplicavelmente, me levanto
Ainda há um precipício logo adiante
Ato falho, resquício ou prenúncio-canto
De um inconformismo inerente?


Inexpugnavelmente, me entrego
E salto em pranto sem saber ao certo
Onde e quando cair, ou se o fim está perto
Já que me agarrar não posso, e a lutar me nego


É o universo que por ti clama,
Ou tu perdeste a verdadeira chama?
Na luz que por muito acompanhou este cometa
Agora repousa só o brilho de uma velha estrela preta


O amor se foi nas elipses do tempo
Cavou túneis, abriu novas dimensões e casamatas
Exibindo-me todas as alegrias e falhas,
E retornou à infinita fonte, no devido momento


É o amor que pediu passagem
Juntou suas tralhas, abriu novo caminho
E adormeceu sereno no teu carinho
Durante esta bela e longa viagem


Buraco negro em meu sistema solar
Big Bang em algum outro lugar

Eduardo C. Mendonça

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Sociedade Muda


O brado fala

O povo reclama

O governo cala

O ato inflama


O povo reclama

O governo cala

O brado ainda fala

Mas o ato para


O grito logo para

O brado perde a chama

O governo ainda reclama

E o povo cala

Eduardo C. Mendonça

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Amar Assim Amar



Devagar fui descobrindo
A doçura torta de te amar
Passo a passo, inocente
Como quem acorda, de repente

Devagar fui descobrindo
A inconsciente vontade de te amar
Assim quimera, sem espera
Posto vivo novamente

Devagar fui descobrindo
O sumo gosto de te amar
Tácito, silencioso,
E de tamanho impacto

Devagar fui descobrindo
O seguro estribo de te amar
Sem crivo, nem siso, nem rédea
Eis o preciso verbo amar

Devagar fui descobrindo
Que foi florindo um jeito de te amar
Quem nem rosas, nem devas
Nem prosa ou versos hão de cantar

Devagar fui descobrindo
Uma devoção de monge em te amar
Assim de longe, e de perto
Que nem mesmo ao certo sei rezar

Devagar fui descobrindo
Que já era hora de te amar
No contratempo, assim de momento,
Num minuto, que não deu nem pra pensar

Devagar fui descobrindo
A forma nua de te amar
Do riso ao pranto, falo e canto
Assim, amor exposto ato de amar

E tão amável, sereno e bonito
Repouso em ti, receptáculo
Fui descobrindo, assim, infinito
Nosso indecifrável espetáculo


Eduardo C. Mendonça