segunda-feira, 25 de junho de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O Infinito Amor
Repentinamente, me deparo
Com teu enorme abismo à minha frente
De súbito, me desencanto e me declaro
Mas não há como prender-me eternamente
Inexplicavelmente, me levanto
Ainda há um precipício logo adiante
Ato falho, resquício ou prenúncio-canto
De um inconformismo inerente?
Inexpugnavelmente, me entrego
E salto em pranto sem saber ao certo
Onde e quando cair, ou se o fim está perto
Já que me agarrar não posso, e a lutar me nego
É o universo que por ti clama,
Ou tu perdeste a verdadeira chama?
Na luz que por muito acompanhou este cometa
Agora repousa só o brilho de uma velha estrela preta
O amor se foi nas elipses do tempo
Cavou túneis, abriu novas dimensões e casamatas
Exibindo-me todas as alegrias e falhas,
E retornou à infinita fonte, no devido momento
É o amor que pediu passagem
Juntou suas tralhas, abriu novo caminho
E adormeceu sereno no teu carinho
Durante esta bela e longa viagem
Buraco negro em meu sistema solar
Big Bang em algum outro lugar
Eduardo C. Mendonça
quinta-feira, 15 de março de 2012
A Sociedade Muda
O brado fala
O povo reclama
O governo cala
O ato inflama
O povo reclama
O governo cala
O brado ainda fala
Mas o ato para
O grito logo para
O brado perde a chama
O governo ainda reclama
E o povo cala
Eduardo C. Mendonça
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Amar Assim Amar
Devagar fui descobrindo
A doçura torta de te amar
Passo a passo, inocente
Como quem acorda, de repente
Devagar fui descobrindo
A inconsciente vontade de te amar
Assim quimera, sem espera
Posto vivo novamente
Devagar fui descobrindo
O sumo gosto de te amar
Tácito, silencioso,
E de tamanho impacto
Devagar fui descobrindo
O seguro estribo de te amar
Sem crivo, nem siso, nem rédea
Eis o preciso verbo amar
Devagar fui descobrindo
Que foi florindo um jeito de te amar
Quem nem rosas, nem devas
Nem prosa ou versos hão de cantar
Devagar fui descobrindo
Uma devoção de monge em te amar
Assim de longe, e de perto
Que nem mesmo ao certo sei rezar
Devagar fui descobrindo
Que já era hora de te amar
No contratempo, assim de momento,
Num minuto, que não deu nem pra pensar
Devagar fui descobrindo
A forma nua de te amar
Do riso ao pranto, falo e canto
Assim, amor exposto ato de amar
E tão amável, sereno e bonito
Repouso em ti, receptáculo
Fui descobrindo, assim, infinito
Nosso indecifrável espetáculo
Eduardo C. Mendonça
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
ABRAÇO
De pai, de mãe, ou de tia
Um abraço é de grande valia
De professor, de aprendiz, ou de criança
Um abraço de esperança
De um conhecido, de um amigo, ou da namorada
Um abraço camarada
De filho, de avô ou de avó
Um abraço para desatar um nó
De irmão, de paixão, ou por educação
Um abraço pra espantar a solidão
De parabéns, de apoio, ou simplesmente consolador
Um abraço é sempre confortador
De aconchego, de alegria, ou de saudade
Um abraço é de extrema necessidade
Eduardo C. Mendonça
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